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Juíza Patrícia Cunha participa de debate sobre feminicídio
ARACAJU/SE - 04 de Outubro de 2018

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Debater sobre a maneira como são realizadas as investigações policiais nos casos envolvendo a violência contra a mulher na capital e interior sergipano, sobretudo delitos de feminicídio. Essa foi a proposta de um ciclo de palestras promovido pela Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ/Sergipe), em parceria com a Secretaria da Segurança Pública, por meio da Academia de Polícia Civil (Acadepol), e com a Associação de Delegados de Polícia Civil (Adepol), na quarta-feira, 03, no auditório da Academia de Polícia Civil, em Aracaju.

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“Esse evento é muito importante porque estamos tratando de um tema bastante palpitante na atualidade que é o feminicídio e a necessidade de identificação desses tipo de delitos corretamente. Muitas vezes durante a investigação pode não ser identificado algum detalhe que revele a violência de gênero, que revele a questão do crime relacionada à condição de mulher da vítima. Então é importante que a investigação seja detalhada, cheia de especificidades, atenta para que a gente possa identificar e quantificar a ocorrência do feminicídio em Sergipe", destacou Patrícia Cunha Paz Barreto de Carvalho, juíza da comarca de Malhador e presidente da Associação de Mulheres de Carreira Jurídica em Sergipe.

 
Ao longo da tarde, o público presente contou com duas palestras. A primeira, com o tema "Feminicídio - uma abordagem sobre aspectos relevantes da investigação", foi apresentada pela delegada Eugênia Villa, subsecretária de Segurança Pública do Estado do Piauí.

 
“A autoridade policial precisa desvendar a linguagem de cada caso configurado, havendo a necessidade de ativarmos os saberes locais. Não vou conseguir investigar um assassinato de uma mulher aqui em Sergipe se eu não estiver interagindo com a sociedade e com as culturas, os costumes do povo, então é preciso a gente ativar esse saberes e dizer, olha essas regras só valem para esse caso para nenhum outro. É importante denunciar, não ficar em silêncio, ir até a polícia e pedir medidas preventivas, o silêncio é que está matando as mulheres", pontuou a delegada convidada.

 
Para a delegada Viviane Pessoa, coordenadora das delegacias da capital e que na oportunidade representou a SSP e a Polícia Civil, o trabalho integrado entre os órgãos de Segurança Pública, Ministério Público e Judiciário são importantes para dar respostas positivas no combate ao feminicídio.

 
“Esse trabalho integrado é muito relevante para que a gente possa dar uma melhor resposta no combate ao feminicídio. É importante alinharmos condutas para que a gente possa trabalhar a questão da vítima, trabalhar a questão do agressor e dar uma melhor resposta tanto no procedimento como na fase judicial. É importante que a mulher denuncie mais, que ela saiba qual a rede de proteção que está à disposição dela", enfatizou.

 
A segunda palestra e que encerrou o evento, conduzida pelo delegado Thiago Lustosa Luna de Araújo, da Delegacia Regional de Neópolis, abordou a temática "Aspectos do atendimento policial nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher - prevenindo o feminicídio".

 
"Abordei a questão do atendimento policial de violência doméstica que muitas vezes resulta em feminicídio, onde pudemos exemplificar, compartilhar experiências para demonstrar a importância do bom trabalho realizado inicialmente pela autoridade policial. Esse debate é importante para os órgãos envolvidos porque resulta em uma melhor prestação do nosso serviço para a sociedade", finalizou o delegado.